Adestrador é preso em flagrante por manter canil clandestino e maltratar nove cães em Guarapari
Operação integrada da CPI de Maus-Tratos da ALES, Polícia Civil e Prefeitura flagrou nove animais mantidos em condições degradantes; tutor aplicava vacinas por conta própria e estocava remédios vencidos.
Uma ação integrada realizada nesta quarta-feira (23) resultou na prisão em flagrante de um adestrador e responsável por um canil clandestino no bairro Jabaraí, em Guarapari. A ofensiva foi deflagrada pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) de Maus-Tratos contra os Animais da Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales), em conjunto com a Polícia Civil e a Gerência Municipal de Bem-Estar Animal.
A operação teve início por volta das 12h30, no bairro Kubitschek, para averiguar denúncias de que um cão estaria abandonado em um imóvel desabitado, com escore corporal severamente debilitado. Ao chegarem ao endereço inicial, as equipes constataram que o tutor havia retirado o animal durante a noite e o transferido para outro ponto. Em diligência contínua, os agentes localizaram o paradeiro do suspeito em um canil no bairro Jabaraí.
No local, as forças de fiscalização e segurança encontraram um cenário de abandono: nove cães mantidos em baias com fezes, portões quebrados, telhados danificados e expostos ao sol e à chuva. Também foram flagrados insumos e medicamentos com prazo de validade expirado, escassez de ração e ausência total de acompanhamento veterinário ou licença de funcionamento.

A presidente da CPI de Maus-Tratos aos Animais da Ales, deputada estadual Janete de Sá (PSB), reforçou o rigor das fiscalizações no Estado.
"Vamos intensificar cada vez mais o combate à crueldade animal no Espírito Santo. Quem mantém animais sob chuva, sol, presos em correntes e em locais insalubres responderá criminalmente com rigor. Os cidadãos precisam estar atentos a quem confiam seus animais. A CPI segue vigilante e atuante para dar voz e proteção àqueles que não podem se defender", declarou a parlamentar.
O agente operacional da CPI, Juarez Lima, relatou como a equipe chegou até o cativeiro.
"A equipe da CPI se deslocou após denúncia formal de que um animal estava em um imóvel inabitado e com escore corporal crítico. No local, descobrimos que ele havia sido retirado pelo tutor por volta das 23 horas da noite anterior. Prosseguimos até o novo endereço e nos deparamos com uma cena estarrecedora. Tratava-se de um adestrador a quem tutores confiavam a guarda de seus bichos. O cão resgatado estava em uma baia fria, sem assistência. Acionamos de imediato a Polícia Civil, que esteve no local e confirmou o flagrante de maus-tratos", pontuou o agente.
O médico-veterinário da comissão, João Victor Torres, elaborou o laudo pericial que fundamentou a prisão e atestou as violações sanitárias.
"Identificamos de forma incontestável a negligência e o desrespeito aos critérios básicos de bem-estar animal. O local apresentava baias completamente avariadas, sem condições estruturais de receber animais, além de muita sujeira. Não havia alvará, plano de manejo de resíduos ou controle sanitário. O responsável admitiu que ele próprio comprava e aplicava vacinas, sem qualquer critério técnico. O animal em estado mais grave foi recolhido pelo município para tratamento emergencial", explicou Torres.
Dos nove cães resgatados no canil, sete pertenciam ao investigado e dois haviam sido deixados por clientes para serviços de adestramento. Um cão da raça Labrador foi prontamente devolvido à família responsável. Já em relação a um Pitbull, o tutor declarou ao titular da diligência, delegado Rodrigo Peçanha, que não iria buscá-lo.

O animal mais debilitado foi acolhido pela Gerência de Bem-Estar Animal de Guarapari para atendimento médico imediato. Quanto aos demais cães de propriedade do investigado, a filha do suspeito assinou um Termo de Correção, assumindo provisoriamente a responsabilidade com determinações expressas de reformas estruturais e cuidados veterinários urgentes.
O responsável pelo estabelecimento foi detido e conduzido pela Polícia Civil ao Departamento de Polícia Judiciária (DPJ) de Guarapari, onde foi autuado em flagrante pelo crime de maus-tratos a animais (Artigo 32, § 1º-A, da Lei Federal nº 9.605/1998), cuja pena varia de 2 a 5 anos de reclusão, sem direito a fiança em sede policial.

