CPI de Maus-tratos aos Animais identifica suspeitos de arrastar cães até a morte em caminhonete adaptada em Iúna, no Espírito Santo
Deputada Janete de Sá afirma que relatório detalhado será enviado ao Ministério Público e à Polícia Civil; versão dos acusados contradiz imagens do cerco eletrônico

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Maus-Tratos contra os Animais da Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales) localizou, na última quinta-feira (15), os envolvidos na morte brutal de dois cães que foram amarrados e arrastados por um veículo até a morte no município de Iúna, na região Sul do Espírito Santo.
De acordo com o rastreamento das câmeras de videomonitoramento, o caso teve início por volta das 22h15 do dia 6 de outubro, na região de Cidade Nova, próximo a um abrigo de animais, sentido Perdição. Na ocasião, um veículo escuro e sem placas visíveis com estrutura traseira cortada para simular uma caçamba, foi flagrado trafegando em velocidade enquanto arrastava dois cães presos pelo pescoço. Registros posteriores mostram o veículo parado nas proximidades do trevo de acesso ao distrito de Perdição, momento em que os corpos dos animais já sem vida foram colocados na caçamba antes da fuga.
Após dez dias de apurações e cruzamento de imagens, a equipe da CPI de Maus-tratos aos Animais deflagrou uma operação de averiguação desde as primeiras horas da manhã desta quinta-feira. Com o suporte da Polícia Militar, a CPI localizou o automóvel, um Volkswagen Gol preto, com modificações estruturais na lataria não regularizada, guardado na garagem de uma residência na localidade rural de Córrego Bom Recreio, em Irupi.
No endereço, o condutor e o passageiro que estavam a bordo do veículo na noite do crime foram identificados. Questionados, ambos alegaram que estavam transportando os cães de um sítio para a propriedade rural onde moram e afirmaram que os animais teriam pulado da carroceria sem que eles percebessem ou ouvissem os ganidos. Eles ainda sustentaram que só notaram o ocorrido após a morte dos cães, optando então por recolhê-los e descartá-los.

A justificativa apresentada pelos suspeitos, no entanto, foi desmentida pelas provas técnicas de geolocalização. O sistema de inteligência e as imagens captadas registraram o deslocamento do carro na região de Cidade Nova em direção ao distrito de Perdição — uma rota completamente oposta ao trajeto do Córrego Bom Recreio informado em depoimento.
A presidente da CPI, deputada estadual Janete de Sá (PSB), acompanhou a força-tarefa e classificou o ato como uma das ações mais covardes já apuradas pela comissão.
"Cenas aterrorizantes, onde pessoas cometeram um crime com requintes de crueldade contra dois cachorros inocentes e indefesos, amarrados a uma caminhonete que circulava com velocidade para levar esses animais à morte. A gente só viu isso na época dos tempos bárbaros, mas isso aconteceu aqui, no município de Iúna. A nossa equipe da CPI de Maus-Tratos, ao receber a denúncia, foi deslocada desde 6 horas da manhã para ir ao local e está retornando agora, às 20 horas. Mas nós conseguimos identificar os covardes que cometeram este crime covarde e cruel. Já levantamos os crimes que cabem e estamos fazendo um relatório para entregar ao Ministério Público e à Polícia Civil, para entrar com um inquérito policial competente e fazer o indiciamento pelo crime de maus-tratos. Não foi possível prender os assassinos em decorrência de ter passado o flagrante. Eles já arrumaram advogados, o que cabe à defesa, mas nós não vamos descansar enquanto esses elementos não estiverem na cadeia. Porque lugar de criminoso é na cadeia. Seja contra animal ou humano, isso é inadmissível aqui no Espírito Santo!”, frisou a parlamentar.
Como o prazo legal do flagrante delito havia expirado, os acusados não puderam ser detidos no momento da diligência. Eles foram ouvidos na presença de seus advogados de defesa.
O relatório completo da CPI de Maus-tratos aos Animais, reunindo as filmagens, os laudos de contradição de rota, as irregularidades do veículo e a identificação dos ocupantes e do proprietário do automóvel, será formalmente protocolado junto à Polícia Civil e ao Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES) para instrução do inquérito e pedido de prisão dos responsáveis por crime de maus-tratos qualificado com resultado de morte dos animais.
